O Outro Lado



Eu adoro chuva!
Gosto de tudo:
Dos desenhos dos raios no céus
Do som dos trovões
Do barulho da chuva
Do som dos ventos
Amava andar na chuva quando era adolescente
Caminhava voltando do colégio sentindo a água no rosto
Mesmo com a sombrinha na bolsa
Andar na chuva era um prazer
Ainda hoje me dou esse prazer
Saio pra sentir um pouco da chuva!
Boas lembranças e sensações
Não dá pra explicar, é algo bastante particular...

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Começaram as chuvas...



... E as tragédias se repetem!
Me pergunto se de fato são impossíveis medidas que garantam mais segurança à população.
Decerto alguns acidentes são esperados, mas essa enxurrada (sem nenhum trocadilho)de desastres extrapola qualquer limite.
Ainda temos muitos meses de chuva para nos compadecermos daqueles que são vítimas, ora do descaso público, ora do excesso de confiança de alguns cidadão que negligenciam os alertas e sem contar alguns casos, e esses os piores, que foram beneficiados com algum programa habitacional e voltam a viver em área de risco após venderem ou negociarem a própria moradia.
Segurança não parece ser uma prioridade dos brasileiros, já que os cuidados devem ser exigidos de TODOS!
São responsáveis todos os que contribuem para o caos urbano, aquele que joga um papel de bala na rua é tão culpado quanto o governante que não se antecipa aos efeitos da época das chuvas (guardadas as devidas proporções).
Falta-nos educação social, civilidade, cordialidade...
... Sobra-nos solidariedade!
(uma contradição, lembro-me daquele dito popular: "Melhor prevenir do que remediar")
É como assoprar uma ferida extensa e dolorosa, tentando minimizar uma dor que extrapola o físico, uma dor moral, afetiva, social!
São capítulos repetidos de uma mesma história, mas fico aqui sonhando com o dia que o enredo será outro e o final menos caótico!

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Battisti ficará no Brasil?

Ante a possibilidade de permanência no Brasil de Cesare Batisti, valho-me de um texto extraído da Carta Capital para exprimir minha modesta opini~]ao.
Sou contra! E os argumentos de Wálter Maierovitch me são suficientes. Um assassino não pode se enconder por detrás de um viés ideológico. Há uma visão romanceada da luta armada que precisa ser desfeita. Não defendo, friso aqui, nenhum tipo de arbitrariedade, mas não aprovo, sobremaneira o uso da violência pelos grupos sociais contrários a qualquer regime.
Presos políticos são os que adoecem nas celas de Cuba, que apelaram ao bom senso do Presidente Lula que, num primeiro momento foi no mínimo infeliz com seus comentários.
Contrário aos Direitos Humanos foi a deportação dos atletas cubanos que tentaram ficar no país fugindo do regime dos irmãos Castro...
Fato é que ao que tudo indica, o italiano ficará em terras brasileiras!
E ainda falam em justiça!

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Battisti e seu bando
Wálter Maierovitch 3 de agosto de 2010 às 10:53h

Um livro desmonta a versão de que o assassino foi vítima da delação de um único companheiro premiado com a liberdade

O partido democrático (PD), de oposição ao premier Silvio Berlusconi, está realizando em Roma a festa pelos 150 anos da Unificação da Itália. Pelo enorme recinto, defronte às ruínas das Termas de Caracalla, circulam ex-líderes comunistas, por exemplo, o presidente Giorgio Napolitano e Massimo D’Alema, primeiro comunista a tornar-se chefe de governo e, depois, ministro das Relações Exteriores. Os velhos integrantes e simpatizantes do eurocomunismo italiano são favoráveis à extradição de Cesare Battisti. Na festa, coube ao escritor Angelo Conti lembrar que, no Parlamento italiano, o PD votou, pela primeira e única vez, com o berlusconiano partido Popolo della Libertá (PDL). Isso para referendar a moção de desagrado com a concessão, pelo então ministro brasileiro da Justiça, Tarso Genro, do status de refugiado ao pluriassassino Cesare Battisti.

Giuseppe Cruciani, que esta semana lançou, pela editora Sperling-Kupfer, um livro sobre os amigos de Battisti e para identificar quem o protege, avisa que Roberto Saviano, autor do best seller Gomorra, acabou de retirar a sua assinatura, aposta anos atrás e quando não era conhecido, um manifesto, em sítio de organização não governamental francesa, a favor da não extradição de Battisti da França. Retirou, pois assinou “a pedido de amigos e sem conhecer nada do personagem em questão”. Saviano agora se solidariza com as vítimas de Battisti, frisa o jornalista Cruciani. Aliás, como fez também Carla Bruni, a primeira-dama da França, italiana de nascimento.

Em entrevista a CartaCapital, D’Alema lembrou-se do líder metalúrgico italiano Guido Rossa, comparado ao Lula da época de São Bernardo do Campo. Membro do então Partido Comunista Italiano (PCI), Rossa foi fuzilado pela organização marxista Prima Linea, que, num Estado democrático, dedicava-se à luta armada. A Prima Linea abrigou egressos do Proletários Armados para o Comunismo (PAC), do qual Battisti era expoente e, com Claudio Lavazza e Giuseppe Memeo, comandava as operações de sangue: matar ou aleijar os “inimigos do proletariado”, os quais chamavam, em volantes encaminhados à imprensa depois dos assassinatos, de “porcos”.

Sobre Battisti, comentava-se na festa do PD, aproxima-se o momento reservado à decisão presidencial a respeito da extradição. E que no Brasil no momento, sustenta-se mais uma mentira, ou seja, que Battisti foi condenado na Itália apenas com base no relato de Pietro Mutti, delator premiado com a liberdade. Recente artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, da lavra do advogado de Battisti, repete essa tese já esposada e proclamada por Tarso Genro.

Ninguém ousou afirmar, nem por enquanto o ex-ministro, que o assassinato de Martin Luther King foi um crime político, a ser considerado como tal pela Justiça. No entanto, no caso de Battisti, um sanguinário covarde que pretendeu, com cerca de 30 pessoas associadas, a começar pela Lombardia e Veneto, derrubar a democracia italiana e impedir que os eurocomunistas chegassem ao poder, do qual estavam a um passo, matar é ato tido como legítimo por certos praticantes do compadrio à francesa.

Uma visita aos milhares de folhas dos autos dos processos criminais sobre Cesare Battisti e membros do PAC revela o grau de caradurismo da campanha de desinformação promovida a favor de Battisti. Mais de 60 juízes, entre togados e jurados, analisaram e decidiram ao longo dos processos. Com relação a Battisti, todas as instâncias foram acionadas, incluída a Corte de Cassação e a Corte de Direitos Humanos da União Europeia sediada em Estrasburgo: a Corte de Estrasburgo entendeu que Battisti, embora foragido, estava muito bem representado por seus advogados, em todas as audiências e atos processuais.

Sobre as mortes, revelam os autos ter sido Battisti o executor material de dois homicídios qualificados pela surpresa, isto é, a impedir a reação das vítimas Antonio Santoro (chefe dos carcereiros de Udine) e Andrea Campagna (motorista policial). Battisti foi, ainda, condenado como coautor do assassinato do açougueiro Lino Sabbadin e como partícipe da execução do joalheiro Pierluigi Torregiani.

Battisti disparou e matou Santoro em 6 de junho de 1978. Depois desse crime, ganhou férias do PAC. Foi aproveitar as praias da Sardenha na companhia da namorada, Maria Cecilia Barbetta, e de outros companheiros. Maria Cecilia, formada em filosofia e associada ao PAC, prestou impressionante depoimento em juízo, em maio de 1982: “Battisti revelou-me como era o sentimento quando se matava uma pessoa. Ele se referia ao homicídio de Santoro”. Condenada por participar do PAC e se declarando desassociada, ela cumpriu três anos de cárcere e hoje ensina história na Universidade de Verona.

Battisti também matou, em 19 de abril de 1979, o jovem motorista policial Andrea Campana, quando este saía da casa da noiva. Pouco antes, em 16 de fevereiro do mesmo ano, Battisti, na companhia de Diego Giacomini, e com Paola Filippi ao volante do automóvel para garantir a fuga, foi coautor no assassinato do açougueiro Sabbadin. Para despistar e atrair Sabbadin, os assassinos fingiram ser do serviço público de higiene. Coube a Giacomini realizar os disparos, com Battisti a dar cobertura.
Giacomini, no processo criminal, confessou aos integrantes leigos do Tribunal do Júri de Milão: “No que toca ao assassinato de Sabbadin, depois de um atento exame de consciência, devo dizer que fui o autor dos disparos e estava com um companheiro de organização”. Era Battisti, como revelado pelas demais provas. Nesse mesmo 19 de abril, os membros do PAC tinham deliberado consumar duas execuções simultâneas, para impressionar. Assim, um segundo grupo, com Giuseppe Memeo e Gabrielle Grimaldi no papel de executores materiais, eliminou o joalheiro Pierluigi Torregiani, com estabelecimento na periferia noroeste de Milão.

Interessante a revelação de Giacomini, sempre nos autos e em audiência pública, sobre o que se pensava no PAC e que levou à constituição de um grupo de extermínio de comerciantes com Battisti como integrante. Eram selecionados, por leitura de jornais, os comerciantes que tinham reagido a assaltos. Casos do açougueiro Sabbadin e do joalheiro Torregiani: “Nós considerávamos o ladrão um proletário que, como nós, não conseguia emprego e não tinha outro meio para obter um rendimento”. Daí a eliminação dos comerciantes, que eram chamados de “porcos” e “agentes do capitalismo”.

O principal ideólogo do PAC era Arrigo Cavallina, fundador da organização juntamente com Luigi Bergamin e Pietro Mutti. Ambos se desassociaram do PAC e das várias organizações eversivas que integraram depois. Como explicou Giancarlo Caselli, em entrevista a CartaCapital, bastava enviar a juízo a comunicação, sem necessidade de advogado e em qualquer papel. E o desassociado, sem precisar delatar ninguém, recebia um desconto da pena.

Com efeito, Cavallina, condenado à pena de 22 anos pelo homicídio do carcereiro Santoro e por outros delitos, foi o primeiro dos chamados terroristas a se desassociar: à época, não havia esse tipo legal e as condenações foram pelos crimes estabelecidos no Código Penal. Ele se declarou, no processo, responsável por ter feito de Battisti um assassino: “Antes disso tudo, ele era um ladrão comum. Nos conhecemos no cárcere de Udine, em 1977”. Cavallina cumpriu 12 anos de cadeia em razão do abatimento pela desassociação. Deixou o cárcere em 1993. Atualmente trabalha numa associação chamada A Fraternidade.

Luigi Bergamin, outro dos ideólogos, recebeu a pena de 27 anos de reclusão, em face dos homicídios do açougueiro Sabbadin e do motorista policial Campagna. Admitiu os crimes imputados e também desassociou-se da luta armada. Na sentença, ficou consignado que ele “não tinha a mesma fúria sanguinária de Battisti”. Bergamin, formado em economia e direito, é hoje professor em uma escola profissionalizante de Milão. Diego Giacomini é outro desassociado. Recebeu a pena de 15 anos. Preso em 1979, deixou a prisão em 1989. Trabalha, atualmente, numa cooperativa em Padova. Quando integrante do PAC, Giacomini era noivo de Paola Filippi, a motorista da fuga do açougue, que, condenada à pena de 23 anos, fugiu para Paris, onde tem cidadania francesa. Casada com cidadão francês e com um filho lá nascido, ela teve a extradição negada.

Quando da prisão, a 26 de junho de 1979, Battisti estava escondido no apartamento de Silvana Marelli, onde foram apreendidos uma bomba, cinco pistolas automáticas e um fuzil. Como Battisti ainda era considerado um membro da linha militar da luta armada, Mutti promoveu o seu resgate da penitenciária de Frosinone, em 1981. Mutti era operário da Alfa Romeu. Foi preso em 24 de janeiro de 1982. Cumpriu, depois de se desassociar, oito anos de prisão. Ao contrário do sustentado pelos admiradores de Battisti, Mutti não recebe remuneração por ter se arrependido. Também não mudou de identidade. Trabalha como operário e recebe pouco mais de mil euros mensais de salário. Frise-se, não delatou em troca de liberdade, como irresponsavelmente se propalou no Brasil. Ele cumpriu pena de oito anos.

Sante Fantone, que usou o próprio automóvel (a placa foi anotada por uma testemunha), teve crise de consciência, pois não se conformava com os assassinatos. Tornou-se, como Mutti, um desassociado e, depois, colaborador de Justiça. Preso em 1984 e condenado à pena de 12 anos e meio de reclusão, deixou o cárcere em junho de 1990. Fantone vive na Sicília e está inválido em razão de um acidente. Confirmou, em relatos, toda a estrutura e como foram as ações do PAC e os envolvidos. Sobre a atuação de Battisti em assassinatos, contou tudo, com detalhes que lhe foram revelados pelo próprio Battisti.

Giuseppe Memeo, que acompanhou Battisti na execução do motorista policial Campagna, também se desassociou. Condenado à pena de 30 anos de reclusão e preso em julho de 1979, deixou o cárcere depois de cumprir dez anos da pena. Trabalha num grupo de assistência a portadores de HIV. Memeo admitiu ter participado do assassinato de Campagna, mas frisou que os disparos foram feitos pelo seu acompanhante. Quem seria senão Battisti, conforme revelado pelas provas? Um ponto a mais: Sante contou ter estado na casa de Roberto Veronese e, no armário, apanhou uma jaqueta de frio. Então, Veronese o aconselhou a não usá-la: “Era a jaqueta usada por Battisti no dia do assassinato de Campagna”, disse Veronese.

A incriminar Battisti existem, ainda, as confissões de Valerio Caval-loni e Massimo Tirelli, todas a confirmar os outros relatos e as acusações feitas pelos juízes de instrução Pietro Forno, Giuliano Turone, Armando Spataro (definiu Battisti como assassino da pior espécie), Guido Salvini e Luigi Liguori.

Como se nota, a nova mistificação colocada na praça e voltada a influenciar o presidente Lula não resiste ao simples exame dos autos processuais. É dispensável falar, pois não foi objeto do pedido de extradição feito pela Itália ao Brasil, do processo em que Battisti e Roberto Silvi tentaram matar o médico Diego Fava. A pistola de Battisti falhou e Silvi teve de fazer os disparos. O médico, embora ferido, sobreviveu.

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Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?

''Minas não é palavra montanhosa.
É palavra abissal. Minas é dentro
E fundo”

Carlos Drummond de Andrade



Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil.

Cadê os lingüistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras?

É um absurdo. Existem livros sobre tudo; não tem (ou não conheço) um sobre o falar ingênuo deste povo doce. Escritores, ô de casa, cadê vocês? Escrevam sobre isto, se já escreveram me mandem, que espero ansioso.

Um simples" mas" é uma coisa no Rio Grande do Sul. É tudo menos um "mas" nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende... Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é...

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar". Não dizem: onde eu estou?, dizem: "ôndôtô?"). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem — lingüisticamente falando — apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.

Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro — metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido...

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).

O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:

— Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.

Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "apaixonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu apaixonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:

— Eu preciso de ir.

Onde os mineiros arrumaram esse "de", aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam... Você não precisa ir, você "precisa de ir". Você não precisa viajar, você "precisa de viajar". Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:

— Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:

— Ai, gente, que dó.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.

Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: "Ô, é sem noção". Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Ouço a leitora chiar:

— Capaz...

Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "tá fácil que eu faça isso", com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um "capaz..." como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "ô dó dôcê". Entendeu agora?

Não? Deixa para lá. É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."? Completo ele fica:

- Ah, nem...

O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta, mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...

Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto:

— Você quer que eu "dou" um exemplo...

Eu sei, eu sei, a gramática não tolera esses abusos mineiros de conjugação. Mas que são uma gracinha, ah isso lá são.

Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado. Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.

Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...

Tem tantos outros... O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.

Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:

— Ah, fui lá comprar umas coisas...

— Que' s coisa? — ela retrucará.

Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade". E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:

— Ele pôs a culpa "ni mim".

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas... Ontem, uma senhora docemente me consolou: "preocupa não, bobo!". E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. e diz tudo.

Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau pro cê", "tchau pro cês". É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, minha filha, é prôcê, não é pra outra entendeu?

Deve haver, por certo, outras expressões... A minha memória (que não ajuda muito) trouxe essas por enquanto. Estou, claro, aberto a sugestões. Como é uma pesquisa empírica, umas voluntárias ajudariam... Exigência: ser mineira. Conversando com lingüistas, fui informado: é prudente que tenham cabelos pretos, espessos e lisos, aquela pele bem branquinha... Tudo, naturalmente, em nome da ciência. Bem, eu me explico: é que, características à parte, as conformações físicas influem no timbre e som da voz, e eu não posso, em honrados assuntos mineiros, correr o risco de ser inexato, entendem?

Autor: Felipe Peixoto Braga Netto

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Cara de um...







Vendo hoje o Ministro Gilmar Mendes me dei conta do quanto ele se assemelha ao personagem de Saulo Laranjeira, o João Plenário!
É uma semelhança que faz algum sentido, não?

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Não sei se rio ou se choro...



Outro dia ouvi de uma amiga que o Brasil é o país da piada pronta...
E pra minha desolação devo concordar com ela!
Hoje estava assistindo o barraco proporcionado pelos Exmos Ministros do STF quando do julgamento acerca da validade ou não da Ficha Limpa para o pleito de 2010, em relação ao Jader Barbalho (criatura gente boa, velha conhecida pelas suas "benfeitorias" pessoais!). Sim! Porque a outra deu empate...
Empate em algo que soa tão óbvio!
Mas pra falar a verdade, ando duvidando dessa obviedade e acreditando naquela frase clichê: "Cada povo tem o governante que merece".
Analisando alguns resultados eleitorais, há que se dar razão aos fichas sujas em querer manter-se agarrados ao osso (que de osso não tem nada, é na verdade um manjar dos deuses!).
Jader Barbalho teve quase um milhão e oitocentos mil votos, Paulo Maluf quase quinhentos mil votos, Renan Calheiros mais de setecentos e cinquenta mil votos, Waldemar Costa Neto é o 17º mais votados dentre os deputados federais eleitos por SP, Newton Cardoso está firme por Minas Gerais... dentre tantos outros figurões que já dançaram, beberam e riram às nossas custas!
O Projeto da Lei apelidada Ficha Limpa foi de iniciativa popular, mas no caminho oposto aos que batalham para que uma lei proíba o qeu deveria ser óbvio, os cidadãos brasileiros QUEREM esses senhores e senhoras nos representando, agora ao menos tem um palhaço pra dar os ares da graça naquele circo de horrores.
Bom, daí minha pergunta: se o povo mantém ou faz ressurgir das cinzas essas criatiuras, porque haveria o Supremo de não ter lá suas dúvidas?
Pergunta idiota e um pensamento minimalista... essa coisa de no Brasil um projeto de lei ser votado (depois de passar por todas as comissões), conseguir ser aprovado (que é outra novela, já que esses senhores e senhoras não costumam encher o plenário, preferem em alguns casos encher bolsos e cuecas de dinheiro!), sancionado pelo Presidente da República para enfim, entrar em vigor...
Logo na sequência, dependendo dos interesses envolvidos, eis que surge a figura da ADI - Ação Direta de Inconstitucionalidade!
Tenho uma certa reserva em relação às Cortes Superiores, porque não acho que seja adequado que os membros da mais alta corte do Poder Judiciário seja escolhida pelo Chefe do Executivo e sabatinado pelo Legislativo, que raios de independência de poder é essa? Daí quando assisto aos bate-bocas como os de ontem, fica para mim a impressão de que se trata de um órgão político, o que me dá uma espécie de mal estar.
Se no fim tudo vira ADI, fica outra pergunta: Que raios faz essa CCJ que não consegue elaborar um texto que seja constitucional?
Enquanto se discute o óbvio, o que de fato é grave fica empoeirando nas prateleiras dos Tribunais que todos sabem estão abarrotados de processos os mais diversos, no prejuízo às milhares de cidadãos que esperam uma decisão, ou do próprio Estado que vê o seu jus puniendi esvair-se pela prescrição... uma espera interminável!
Dá pra acreditar que esse é um país sério? Eu sinceramente, não acredito...
E a propósito das decisões esquisitas, tenho que mencionar a do STJ em relação à Lei Seca, ou seja, a lei existe, é até boa, mas não funciona porque ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo! É só não soprar o bafômetro nem fornecer sangue que você pode cometer qualquer crime de trânsito, já que a descrição do agente público e testemunhas que relatam os sinais de embriaguez não são válidos! É lindo isso, não? "Só não vale dançar homem com homem, e nem mulher como mulher, o resto vale!"

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