Culpa de quem?

Penso que deveria processar o Estado... ou talvez devesse culpar o meu pai por ter estudado e trabalhado tanto minha vida inteira!
Uma sacanagem... um despropósito!!!
Onde já se viu? Com tanta carência vivida na minha infância, NENHUM benefício do governo???
Por que, meu pai, o senhor me ensinou que o homem (como espécie) só consegue melhorar sua condição através do ESTUDO e do TRABALHO?
Por que meu amado pai, o senhor, apesar de sua baixa escolaridade, nos cobrava tantos resultados?
Por que desde cedo o senhor nos incentivou ao trabalho, e não só isso, nos imprimiu responsabilidades com as despesas domésticas?
Por que o senhor nos ensinou a driblar as dificuldades plantando sua horta para complementar o alimento que nos era servido diariamente?
Por que o senhor nos ensinou a viver dentro dos limites daquilo que se ganha? 
Sabe, pai... muito aprendi com o senhor nessa minha vida e talvez por isso me sinta tão incomodada com o atual protecionismo e, de certa forma, incentivo ao ócio!
Não suporto mais ouvir alguns comentários exarados pelos beneficiários do "Bolsa Família". Entendo a natureza do programa e compreendo que muitas famílias de fato precisem (e muito) do dinheiro mensal que lhes é repassado.
Mas repudio com veêmencia àqueles que se mantém no ócio pra não largar a teta do Estado que parece emanar leite de uma fonte inesgotável!!!
Lembro na minha infância que existia um benefício às famílias mais carentes que era o "Tíquete do Leite" que em pouco tempo estava sendo o "tíquete cachaça", "tíquete cigarro" e pra variar, muita gente que não precisava, recebia e outros tantos que de fato necessitavam do benefício estavam alijados.
Engraçado que o tempo passa e as histórias se repetem, antes era o leite por cigarro, agora é Bolsa-Família por calça de R$300,00!!!
Se olhar é equivalente, porque na época da inflação leite e dose de cachaça valiam quase a mesma coisa (se bem que naquela época, acredito que ninguém mais sabia o valor de nada!)
Em 2006 eu estava grávida e estudava pela manhã, trabalhava à tarde e dava aulas num cursinho à noite... indo embora de ônibus, cansada e tentando arrumar um jeito de comprar os itens de enxoval do meu filho e pensando no quanto fralda era caro, ouço duas mulheres conversando:
_ Ano que vem vou arrumar mais um filho, que aí eu recebo mais um Bolsa Família e fico tranquila.
A interlocutora pergunta o valor do benefício e à época era algo como R$40,00 por filho!
Minha cabeça ferveu fazendo aquelas contas... COMO SUSTENTAR UM FILHO COM QUARENTA REAIS MENSAIS?
E como programar filho só pelo benefício???
Essa é uma lógica que escapa à minha capacidade de entendimento... perdoem-me por ser tão limitada!
Só que continuo sem entender como, num país que estão sobrando vagas segundo os noticiários diários, existam ainda tantos desempregados e dependentes dos benefícios sociais (que deveriam ser temporários). Será que não seria isto um efeito perverso dos programas de transferência de renda? 
Não sei... alguma coisa está fora da ordem! E não estou aqui fazendo discurso partidário, porque aberração em política não é novidade, qualquer que seja a legenda!
Pois bem!
Certo é que jamais fomos beneficiados em nada pelo Governo, seja ele Federal, Estadual ou Municipal. Nossa infância ocorreu na era da inflação e sem direito a absolutamente NADA além do básico para sobreviver, mas tenho muito a agradecer ao meu pai que, como servidor público do Estado, com quatro filhos e muita inteligência, engenho e arte, nos fez cidadãos!
Pai é um homem de elevado valor, que primou pela nossa educação, sei hoje o quanto foi difícil alimentar e estudar os quatro filhos numa época de dificuldade para todos os brasileiros, sobretudo os mais pobres. Não vou ficar relembrando as histórias pretéritas pra não virar auto-comiseração, mas sei que analisando tudo o que vivi e aprendi... isso que está aí não me convence! Muito pelo contrário, me envergonha!
Caminhamos para uma sociedade na qual estudar e trabalhar deixarão de ser um valor! Isso é um perigo e uma afronta a nós, cidadãos que produzem e contribuem para um país que desejamos melhor...

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Por um momento queria sumir...


Cansei!!!
Pra mim deu, não suporto mais ouvir essas músicas de balada, pegação, bebida e carrão...
Que chute. Tá certo que os incomodados que se retirem, mas para o meu azar: 
EU NÃO POSSO ME RETIRAR!!!
Pelos próximos seis anos ainda serei funcionária pública e aí sim quem sabe poderei buscar algum lugar perdido no meio do nada "onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros, e nada mais"
Estou me sentindo totalmente out! Não tenho sensação de pertencimento, estou fora desse mundo, isso não me cabe e pra piorar não tenho pra onde fugir!
Quero uma sala de cinema com bons filmes
Quero alternativa de boa música
Quero uma tarde de cultura, com declamações, leitura, discussões
Quero um lugar onde as pessoas pensem!
Será pedir demais?
Minha vida já é sempre igual... e ainda precisa ser torturante?
Fico sonhando com uma cachoeira no meio da montanha... coisas de Minas Gerais
Que com tanta música boa tem se deixado levar pela "galera do nada a dizer"
Será que esse processo é irreversível? Socorro!!!
Músicas de gosto duvidoso sempre existiram, mas não me lembro de uma época tão crítica, pra todo lado que se tenta fugir, empurra-nos essa "cultura [?]" goela abaixo.
"Eu não aguento, eu não aguento..."
E sabe o que é mais triste? Essas músicas tem o poder de grudar na cabeça da gente e martelam o dia todo
Seus refrões se repetem, suas rimas e concordâncias mal elaboradas
É um processo de "emburrecer". Como essa porcaria se instala de forma repetida e irritante, nossa capacidade de pensar vai sendo substituída pela batida do funk e do sertanejo universitário. E o pior: muita gente gosta! Acho até que a maioria das pessoas!
O mundo acadêmico está se rendendo e estudando o "fenômeno" e no fim acabam achando algo positivo em tudo isso. Até a coisificação da mulher no mundo das popozudas e frutas tem sido interpretado como um grito de liberdade, um nono feminismo!
Não aceito isso como manifestação da liberdade feminina. Liberdade é ter condição de expressar-se, de ser valorizada como pessoa, profissional, de ser ouvida pelos setores públicos e privados, sem discriminação de gênero. Reduzir a luta da mulher a um padrão de livre escolha sexual e estar ainda num estágio muito primitivo do ser humano. É como se as mulheres ainda estivessem saindo das cavernas.
Nenhuma mulher precisa mostrar a bunda e dançar até o chão para ter liberdade sexual. Aliás, qual será mesmo o preço dessa dita liberdade? Provavelmente alguns bons casos de gravidez precoce e não programada, cujos pais são desconhecidos ou não identificados; DST's e outras mazelas mais... 
O sertanejo universitário, ao contrário do funk, as mulheres são interesseiras e a cachaça na balada dá o tom... aí a galerinha empolgada enche a cara, entra no seu carrão cheio de mulher, provoca um acidente de trânsito, de vez em quando arranca o braço de um jovem trabalhador e fica tudo por isso mesmo.
Me preocupa porque no fundo, ouvir e interiorizar o sentido dessas músicas parece transformar de fato os indivíduos reais nesses personagens da ficção mal elaborada.
Moro em uma cidade em que apenas uma rádio toca música de qualidade! Saudade da Rádio Inconfidência na qual eu ouvia o que mais me agrada, alimenta e sacia: MPB! 
Depois de ouvir a tarde inteira "Cupido Burro" estou aqui a me perguntar... Quem será mesmo burro?



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Há uns anos postei algo sobre o Senor Abravanel e sua sanha pelo jogo, sobre a maneira que ele joga com seus convidados e sobre o quanto é amado pelo brasileiro!
Parece loucura, mas como é possível alguém debochar de maneira escancarada os convidados e às colegas de trabalho e ainda assim ser ovacionado!
De duas uma: ou o brasileiro gosta de ser subtraído em sua dignidade ou de fato as pessoas não percebem o que acontece entre uma e outra clássica risada do "Seu Sílvio".
Bom, mas não é sobre a sagacidade do grande comunicador brasileiro que quero dizer... minha preocupação é de outra ordem.
Ontem enquanto "percorria" os canais, fixei-me por um tempo no Programa Sílvio Santos, que esculachava a vice Miss Bumbum e a Mulher Melancia, num jogo (é claro!) de adivinhar. A resposta deveria ser "Getúlio Vargas", vamos às  pistas: Leis Trabalhistas / Gaúcho / Suicídio... coisa óbvia, não?
NÃO!!!!!
Ninguém sabia... é muita bunda e pouco cérebro!
Jogou a pergunta para o auditório... nenhuma colega de trabalho sabia!
O que esse povo anda aprendendo na escola????
Tive o primeiro surto!!!
Depois o "Seu Sílvio" perguntou para uma jovem da plateia como o Tiradentes havia morrido: Fuzilado, enforcado ou decapitado?
A resposta da pessoa depois de muito pensar: FUZILADO!!!
Minha cabeça ferve nessas horas porque no fundo sabemos que aquela plateia é uma amostra significativa da nossa população que finge que aprende enquanto o sistema público de educação finge que ensina!
Meu desânimo foi às alturas... principalmente por não conseguir enxergar alguma luz (ainda que fraca) no fim desse túnel escurecido pela alienação!
Renato Russo cantava que o "Brasil é o país do futuro!"... 
Me pergunto hoje: que futuro?

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Desaprender...


Mais uma vez ela tentou sorrir
Mirou-se no espelho e ensaiou um movimento com os lábios
Esforçou-se tentando enxergar algo que pudesse ao menos assemelhar-se a um sorriso
Percebeu, enfim, que não seria fácil!
Tentou mais uma, e outra até que por fim desistiu
Terminou de vestir-se e concluiu que sorrir é bem mais que um conjunto de movimentos musculares
Não adianta sorrir quando os olhos permanecem tristes
Não adianta sorrir quando sua alma está perdida
Não é possível sorrir quando não se sabe mais quem se é [ou no que se transformou]...
Desaprender a sorrir é como desaprender a viver
É um deixar levar-se pela vida
Pelos dias
Sem esperança;
Sem vontade;
Sem presença...

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Brinquedos...


A indústria de brinquedos é incrível! Que extraordinário poder de entrar na mente da criança e fazê-la convencer seus pais a comprarem as infinitas novidades!

Sim, infinitas porque não é apenas um brinquedo de cada espécie, são subtipos de nomes esquisitos que compõem um rol interminável de personagens.

Eu controlo muito essa coisa de comprar brinquedos, mesmo porque nem dá tempo da criança brincar com aquilo que já tem em casa e de tempos em tempos temos que fazer a seleção para doação (condição essencial para aquisição de novos brinquedos) e dependendo do valor, temos que juntar o dinheiro antes...

Pois bem, fui bombardeada com a intenção do João Carlos em ganhar um Beyblade (fiquei meio impressionada porque o Augusto, hoje com 14 anos, já queria um brinquedo desses há muitos anos)... depois de muito postergar, resolvi comprar o bendito brinquedo e que surpresa: o Beyblade não passa de um pião com adesivos e formas japonesas (outra cultura a ser aqui elogiada: que poder de influenciar gerações!!!).

Os marmanjos, como esta que vos escreve, que atirem a primeira pedra se não tiverem assistido Spectreman; Jaspion; Changeman; Lion Man e similares.
Os desenhos japoneses fazem muito sucesso entre os meninos (principalmente!) e absolutamente TUDO que eles lançam no mercado passam a ser objeto de desejo dos pequenos: de figurinha a moto elétrica! Haja dinheiro pra tanta novidade.

Pois bem, o fato é que Beyblade não é nenhuma novidade mas ainda tem um impacto significativo no desejo dos meninos que marcam suas competições no colégio e que vença o melhor... são repetidos os trejeitos e falas dos personagens de olho grande e trêmulo dos animes japoneses e aquilo que é visto na TV passa a ser real no cotidiano infantil. 

Caí na besteira de, após ver o tão sonhado Beyblade em ação, dizer que aquilo era apenas um pião... vixi! Houve um manifesto contra minha ignorância. Como pode uma pessoa em pleno gozo das faculdades mentais dizer que um BEYBLADE é um pião? No fim, a conversa foi encerrada com uma típica frase mirim machista: "Você não entende mesmo, Beyblade é brinquedo de menino!"

O bacana mesmo é que João Carlos é uma criança jóia. Saímos pra comprar o brinquedo e fazer as compras de supermercado mensal. De início a programação era comprar um brinquedo de R$49,90 (eu acho caro pra uma coisa que em breve será deixada num canto, substituída por outra novidade japonesa fabricada na China), mas ele decidiu-se por um de R$69,90... ok! 

Brinquedo escolhido, vamos às compras, assim que o carrinho foi enchendo de itens de alimentação, meu pequeno olha pra mim e diz: "Mãe, essas compras vão ficar caras, acho melhor trocar pelo mais barato." Disse a ele que não precisava, mas ele insistiu dizendo que o mais caro era de plástico e o outro por ser de metal era melhor e com certeza duraria mais.

(Devo confessar uma ponta de orgulho do meu filhote! Aliás... todos os dias tenho mil e um motivos para me sentir uma mãe abençoada e agraciada com o que melhor a maternidade pode oferecer!)

Acreditando que estaria em paz por alguns dias, fui buscar João Carlos na hora do almoço para ir à escola e ele me pede dois novos modelos do pião formato anime...  Só consegui sorrir e dizer: "Depois vemos isso, pega sua mochila e vamos embora...!"

Observações:

Todos os jogos são atrativos para meninos (eu sou totalmente ignorante e possuo péssima coordenação motora!)

O jogo da vez é o Club Penguim, para o qual comprei um cartão de assinatura (depois tenho que marcar tempo pra jogar senão passa um dia inteiro na frente do computador)

Por sugestão do Artur, João Carlos começou a jogar Dragon City no Facebook... estou preparada para outra mania (o menino acorda muito cedo e na sequência me sacode e dispara a pergunta: "Mãe, posso jogar?")

Comprei um DVD do Pirata do Espaço, um anime japonês do início da década de 80 (esse é meu, porque como criança também fui aficcioada pelos personagens de olhos grandes)

Lá em casa também tem o box do Jaspion (e não tenho vergonha de contar, porque eu também gostava do jaspion, mas esse não fui eu quem comprou)

Assisti no youtube o último capítulo do Spetreman (é incrivelmente bizarro... ri muito)

Acho incrível a fixação dos japoneses por jogos, monstros e invasões alienígenas!

Quando criança quase não tive brinquedos... ganhei uma boneca (cara de brinquedo assassino) que perdeu o braço no primeiro movimento, como não tinha PROCON, convivi com acessibilidade muito cedo!

Como o cabelo da boneca também não era bom, com o passar do tempo cortei e a boneca se transformou num monstro.

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Namorando com o suicídioAutor(es): J.R.Guzzo
Veja - 28/01/2013


 Se nada piorar neste ano de 2013, cerca de 250 policiais serão assassinados no Brasil até o próximo dia 31 de dezembro. É uma história de horror, sem paralelo em nenhum país do mundo civilizado. Mas estes foram os números de 2012, com as variações devidas às diferenças nos critérios de contagem, e não há nenhuma razão para imaginar que as coisas fiquem melhores em 2013 — ao contrário, o fato de que um agente de polícia é morto a cada 35 horas por criminosos, em algum lugar do país, é aceito com indiferença cada vez maior pelas autoridades que comandam os policiais e que têm a obrigação de ficar do seu lado. A tendência, assim, é que essa matança continue sendo considerada a coisa mais  natural do mundo — algo que “acontece”, como as chuvas de verão e os engarrafamentos de trânsito de todos os dias.

Raramente, hoje em dia, os barões que mandam nos nossos govemos, mais as estrelas do mundo intelectual, os meios de comunicação e a sociedade em geral se incomodam em pensar no tamanho desse desastre. Deveriam, todos, estar fazendo justo o contrário, pois o desastre chegou a um extremo incompreensível para qualquer país que não queira ser classificado como selvagem. Na França, a ficar em um exemplo de entendimento rápido, 620 policiais foram assassinados por marginais nos últimos quarenta anos — isso mesmo, quarenta anos, de 1971 a 2012. São cifras em queda livre. Na década de 80, a França registrava, em média, 25 homicídios de agentes de polícia por ano, mais ou menos um padrão para nações desenvolvidas do mesmo porte. Na década de 2000 esse número caiu para seis — apenas seis, nem um a mais, contra os nossos atuais 250. O que mais seria preciso para admitir que estamos vivendo no meio de uma completa aberração?

 Há alguma coisa profundamente errada com um país que engole passivamente o assassínio quase diário de seus policiais — e, com isso, diz em voz baixa aos bandidos que podem continuar matando à vontade, pois, no fundo, estão numa briga particular com "a polícia", e ninguém vai se meter no meio. Essa degeneração é o resultado direto da política de covardia a que os governos estaduais brasileiros obedecem há décadas diante da criminalidade. Em nenhum lugar a situação é pior do que em São Paulo, onde se registra a metade dos assassinatos de policiais no Brasil; com 20% da população nacional, tem 50% dos crimes cometidos nessa guerra. É coisa que vem de longe. Desde que Franco Montoro foi eleito governador, em 1982, nas primeiras eleições diretas para os governos estaduais permitidas pelo regime militar, criou-se em São Paulo, e dali se espalhou pelo Brasil, a ideia de que reprimir delitos é uma postura antidemocrática — e que a principal função do estado é combater a violência da polícia, não o crime. De lá para cá, pouca coisa mudou. A consequência está aí: mais de 100 policiais paulistas assassinados em 2012.

 O jornalista André Petry, num artigo recente publicado nesta revista, apontou um fato francamente patológico: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conseguiu o prodígio de não comparecer ao enterro de um único dos cento e tantos agentes da sua polícia assassinados ao longo do ano de 2012. A atitude seria considerada monstruosa em qualquer país sério do mundo. Aqui ninguém sequer percebe o que o homem fez, a começar por ele próprio. Se lesse essas linhas, provavelmente ficaria surpreso: "Não, não fui a enterro nenhum. Qual é o problema?". A oposição ao governador não disse uma palavra sobre sua ausência nos funerais. As dezenas de grupos prontos a se indignar 24 horas por dia contra os delitos da polícia, reais ou imaginários, nada viram de anormal na conduta do governador. A mídia ficou em silêncio. É o aberto descaso pela vida, quando essa vida pertence a um policial. É, também, a capitulação diante de uma insensatez: a de ficar neutro na guerra aberta que os criminosos declararam contra a polícia no Brasil.

 Há mais que isso. A moda predominante nos governos estaduais, que vivem apavorados por padres, jornalistas, ONGs, advogados criminais e defensores de minorias, viciados em crack, mendigos, vadios e por aí afora, é perseguir as suas próprias polícias — com corregedorias, ouvidorias, procuradorias e tudo o que ajude a mostrar quanto combatem a "arbitrariedade". Sua última invenção, em São Paulo, foi proibir a polícia de socorrer vítimas em cenas de crime, por desconfiar que faça alguma coisa errada se o ferido for um criminoso; com isso, os policiais paulistas tornam-se os únicos cidadãos brasileiros proibidos de ajudar pessoas que estejam sangrando no meio da rua. É crescente o número de promotores que não veem como sua principal obrigação obter a condenação de criminosos; o que querem é lutar contra a “higienização" das ruas, a “postura repressiva” da polícia e ações que incomodem os “excluídos”. Muitos juizes seguem na mesma procissão. Dentro e fora dos governos continua a ser aceita, como verdade científica, a ficção de que a culpa pelo crime é da miséria, e não dos criminosos. Ignora-se o fato de que não existe no Brasil de hoje um único assaltante que roube para matar a fome ou comprar o leite das crianças. Roubam, agridem e matam porque querem um relógio Rolex; não aceitam viver segundo as regras obedecidas por todos os demais cidadãos, a começar pela que manda cada um ganhar seu sustento com o próprio trabalho. Começam no crime aos 12 ou 13 anos de idade, estimulados pela certeza de que podem cometer os atos mais selvagens sem receber nenhuma punição; aos 18 ou 19 anos já estão decididos a continuar assim pelo resto da vida.

Essa tragédia, obviamente, não é um “problema dos estados”, fantasia que os governos federais inventaram há mais de 100 anos para o seu próprio conforto — é um problema do Brasil. A presidente Dilma Rousseff acorda todos os dias num país onde há 50000 homicídios por ano; ao ir para a cama de noite, mais 140 brasileiros terão sido assassinados ao longo de sua jomada de trabalho. Dilma parece não sentir que isso seja um absurdo. No máximo, faz uma ou outra reunião inútil para discutir “políticas públicas” de segurança, em que só se fala em verbas e todos ficam tentando adivinhar o que a presidente quer ouvir. Não tem paciência para lidar com o assunto; quer voltar logo ao seu computador, no qual se imagina capaz de montar estratégias para desproblematizar as problematizações que merecem a sua atenção. Não se dá conta de que preside um país ocupado, onde a tropa de ocupação são os criminosos.

Muito pouca gente, na verdade, se dá conta. Os militares se preocupam com tanques de guerra, caças e fragatas que não servem para nada; estão à espera da invasão dos tártaros, quando o inimigo real está aqui dentro. Não podem, por lei. fazer nada contra o crime —  não conseguem nem mesmo evitar que seus quartéis sejam regularmente roubados por criminosos à procura de armas. A classe média, frequentemente em luta para pagar as contas do mês, se encanta porque também ela, agora, começa a poder circular em carros blindados: noticia-se, para orgulho geral, que essa maravilha estará chegando em breve à classe C. O número de seguranças de terno preto plantados na frente das escolas mais caras, na hora da saída, está a caminho de superar o número de professores. As autoridades, enfim, parecem dizer aos policiais: “Damos verbas a vocês. Damos carros. Damos armas. Damos coletes salva-vidas. Virem-se”.

É perturbadora, no Brasil de hoje, a facilidade com que governantes e cidadãos passaram a aceitar o convívio diário com o mal em estado puro. É um "tudo bem” crescente, que aceita cada vez mais como normal o que é positivamente anormal — “tudo bem” que policiais sejam assassinados quase todos os dias, que 90% dos homicídios jamais cheguem a ser julgados, que delinquentes privatizem para seu uso áreas inteiras das grandes cidades. E daí? Estamos tão bem que a última grande ideia do governo, em matéria de segurança, é uma campanha de propaganda que recomenda ao cidadão: “Proteja a sua família. Desarme-se”. É uma bela maneira, sem dúvida, de namorar com o suicídio. 

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No ano passado ouvi de um amigo que as coisas no Brasil são como são porque o povo brasileiro é bastante pacato... bom, de início pode parecer um exagero, mas no fundo é uma grande verdade!
O grau de tolerância com os serviços que nos são prestados é absurdo, vivemos nos conformando com o pouco que nos ofertam. Acostumamos ser mal atendidos em todos os lugares, aceitamos ser julgados pela aparência, toleramos os erros que nos prejudicam com o famoso "deixa pra lá!".

Não vou nem dizer da prestação de serviços públicos porque isso é chutar cachorro morto (me perdoem os bons servidores públicos, que tenho certeza serem muitos), mas estou aqui num exercício de auto-crítica, porque sou servidora pública e vejo todos os dias o bando de come-dorme que literalmente mamam nas tetas do governo e reclamam de tudo, desde a jornada de trabalho diária até o salário (que sempre é insuficiente). Mas esse assunto dos servidores públicos vou deixar pra outro post.

Vamos lá! Todas as categorias profissionais prestadoras de serviço reclamam, mas a grande questão é a seguinte: COMO É O SERVIÇO QUE EU OFEREÇO? 

Será que os reclamões de plantão respeitam os seus clientes? Hoje vi um post solicitando respeito aos médicos (abro aqui um parêntese aos excelentes médicos que conheci durante minha vida, e especialmente aos que agradeço pelo fato de estar viva!), mas como anda o atendimento médico no Brasil?

É horrível a sensação de entrar num consultório médico e não ser examinado, ouvido, atendido, considerado... pior ainda quando o médico duvida daquilo que o paciente diz. Entendo que o médico pode estar insatisfeito com a remuneração, plano de saúde, jornada de trabalho, mas jamais vou entender como uma profissional que lida com aquilo que temos de mais importante, desconte sua insatisfação naquele que é a "causa" da sua existência: o paciente!

Permanece aí a passividade, como se o profissional de saúde fizesse um grande favor em atender o pobre coitado! Não é favor, é prestação de serviço! E como tal, tem que ser feito com qualidade. 

Quando um profissional (qualquer que seja ele) vai atender um "cliente" deverá fazê-lo de modo a superar suas expectativas, afinal de contas, nesse mundo capitalista a regra é do toma lá, dá cá! Mas no nosso caso funciona mais ou menos assim: toma aqui seu atendimento e sinta-se muito feliz, estou fazendo mais do que você merece e menos do que posso, afinal de contas, meu salário é muito baixo!

Quando aceitamos um emprego não adiante ficar choramingando o salário e culpabilizando o cliente pela má remuneração, ao assinarmos um contrato (seja com o setor público ou privado), aceita-se livremente as condições, vendemos nossas horas ociosas para o "patrão" e se estamos insatisfeitos, temos que acertar com aquele que combinamos, não com o cliente/consumidor.

 É preciso adquirir o hábito de reclamar, de exigirmos respeito como clientes, mas sobretudo como cidadãos, seres humanos... 

Mantenho a esperança de mudanças, mas nenhuma mudança acontece se não for provocada. Assim como os profissionais protestam e exigem melhores condições, remuneração, etc, temos nós, usuários dos diversos serviços o direito de reclamarmos e exigirmos atendimento de qualidade.





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